sexta-feira, 11 de outubro de 2013

SIMBOLISMO, GRAMÁTICA E PRODUÇÃO TEXTUAL- 2ª PARTE- 3º BIMESTRE



SIMBOLISMO E GRAMÁTICA E PRODUÇÃO TEXTUAL

TEXTO GERADOR 1

O primeiro texto gerador deste ciclo, o poema Cárcere das Almas, é de autoria de Cruz e Souza. Negro e filho de escravos, o poeta enfrentou o preconceito e se tornou um dos maiores nomes do Simbolismo no Brasil. Cruz e Sousa tem como temas constantes em sua obra a sublimação, o espiritualismo, o misticismo, a religiosidade, a pregação do amor e da grandeza moral. Cárcere das almas é um soneto bastante ilustrativo da estética simbolista e focaliza a espiritualidade, a sublimação.

CÁRCERE DAS ALMAS

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e funéreas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
Para abrir-vos as portas do Mistério?!
Cruz e Sousa

Atroz: desumana, aflitiva.
Calabouço: prisão subterrânea;
cárcere; cadeia.
Cárcere: calabouço.
Colossais: com proporções de colosso
(agigantado, excepcional, grande
poderio ou soberania), extraordinárias.
Etéreo: celestial; sublime.
Funéreas: fúnebres (relativo à morte)
Grilhões: cadeias; laços, prisões.

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 1:

O Simbolismo é um movimento literário que reflete um momento histórico bastante complexo: marca a transição para o século XX. Os males advindos da Revolução Industrial (a superpopulação nas grandes cidades, a briga por mercados consumidores, guerras entre as grandes potências etc.) aliados à incerteza quanto à eficiência dos métodos científicos na busca da compreensão do real, promovem uma crise: o homem é levado ao sentimento da descrença, da desesperança, do desalento. O período é tomado por um pessimismo que se reflete no abandono das correntes materialistas e no refúgio na realidade subjetiva, no inconsciente e no espiritualismo.

O poema “Cárcere das almas” traz uma temática que exemplifica, de forma clara, a tendência pessimista que marcou o fim do século XIX. No poema, nota-se uma preocupação do eu-lírico acerca da existência humana. Tendo em vista essa observação, responda:

a) De acordo com a 1ª estrofe do poema, a que limitação o ser humano estaria submetido?
b) Destaque pelo menos um par de versos da 3ª estrofe em que se reafirma o estado doloroso e angustiante em que se encontram as almas.

Habilidade trabalhada:

Reconhecer na estética simbolista traços da tendência pessimista do “fim do século”. Resposta comentada: Com essa questão, pretende-se que o aluno perceba que o movimento simbolista nasceu em um período de transição para o século XX, quando houve uma intensificação do processo burguês-industrial. É importante iniciar a correção mostrando que:

a) o Simbolismo surge na desilusão perante essa nova realidade;
b) o Simbolismo representa uma oposição ao materialismo cada vez mais crescente;
c) na poesia simbolista, é comum transparecer o sentimento de pessimismo, de descrença, de isolamento, de oposição ao ideário burguês e o desejo de sublimação.

A. A partir da análise do próprio título da poesia, “Cárcere das almas”, é possível chamar a atenção para a temática nela desenvolvida: a dor da existência humana. A palavra “cárcere” faz referência ao local onde se encontram as “almas” – que, por figurar no plural, sugere que a dor não é apenas do eu-lírico, mas da coletividade humana. É importante os alunos compreenderem que os simbolistas tendem a buscar a essência do ser humano, aquilo que ele tem de mais profundo. Nesse sentido, o poema “Cárcere das almas” é bastante representativo, pois denota a preocupação do eu-lírico diante do aprisionamento a que está submetido o espírito humano, preso que está ao corpo. B. Neste item, você pode salientar que, em todo o poema, o autor procurou destacar a limitação e a rigidez a que a alma humana está condenada. Ao longo da poesia, o eu-lírico retoma a ideia já expressa no título da poesia, denotando ser angustiante a condição humana. Pode-se depreender que o “cárcere das almas” seria o próprio corpo, a nossa materialidade. Frente a esse materialismo a que nossa condição humana está condicionada, a alma humana parece não atingir a almejada plenitude, a sublimação tão latente nos poemas simbolistas. Toda a terceira estrofe configura-se como uma espécie de lamento face ao estado de abandono em que se encontram as almas “nas prisões colossais” (2° verso do 1° terceto). A resposta esperada para a questão é o par de versos “Ó almas presas, mudas e funéreas / Nas prisões colossais e abandonadas.”.

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA

QUESTÃO 2:

A primeira e a terceira estrofes do poema são iniciadas por uma interjeição (Ah!/Ó), ou seja, por uma palavra invariável que é utilizada para exprimir diferentes emoções, apelo ou estado de espírito. Sobre o valor expressivo dessas interjeições,
pode-se afirmar que:

a) A interjeição “Ah!” exprime uma invocação, e a interjeição “Ó” exprime a alegria do eu -lírico.
b) A interjeição “Ah!” exprime a alegria do eu-lírico, e a interjeição “Ó” exprime espanto/admiração.
c) A interjeição “Ah!” exprime espanto/admiração, e a interjeição “Ó” exprime uma invocação.
d) A interjeição “Ah!” exprime a alegria do eu-lírico, e a interjeição “Ó” exprime uma invocação.

Habilidade trabalhada:

Identificar o valor expressivo das interjeições e demais sinais de pontuação.

Resposta comentada:

Antes de iniciar a correção desta questão, você pode retomar, junto aos alunos, o conceito de interjeição. Primeiramente, pode ser feita a observação de que a interjeição é uma palavra que não sofre variação em gênero ou número, ou seja, não admite a transposição masculino/feminino, assim como singular/plural. Por isso, é classificada como uma palavra invariável.

Na oralidade, as interjeições se fazem constantemente presentes nas conversas informais. Nos gêneros textuais escritos, as interjeições são bastante recorrentes nas tiras cômicas, nas histórias em quadrinhos, nos chats e e-mails informais. Você pode chamar a atenção do aluno para o uso que ele possivelmente faz das interjeições mais comuns em seu cotidiano: Ah!; Hum!; Ó!; Psiu!; Puxa!; Meu Deus! etc. Quanto ao aspecto semântico, é importante que o aluno demonstre compreender que o significado de cada interjeição está relacionado ao modo como é proferida e que, para tanto, o contexto torna-se primordial. É fundamental o aluno perceber o contexto da fala ou da escrita como elemento determinante do sentido tomado pela interjeição. A questão exige que o aluno demonstre perceber o valor expressivo das interjeições Ah! (primeira estrofe) e Ó (terceira estrofe). A alternativa A não serve como resposta para a questão, pois a interjeição Ah! não denota uma invocação, mas sim, espanto, admiração. Já a interjeição Ó denota um chamamento, uma invocação e não a alegria do eu-lírico. Caso o aluno marque essa opção, você pode reforçar a ideia de que o eu-lírico do poema em momento algum da poesia demonstra o sentimento de alegria. Esse mesmo comentário pode ser feito com relação às alternativas B e D. O aluno, então, será levado a perceber que a alternativa correta é a letra C, pois a interjeição Ah! denota o sentimento de espanto do eu-lírico diante do fato de as almas estarem presas no cárcere e a interjeição Ó representa uma invocação a essas almas.

TEXTO GERADOR 2

O poema Violões que choram, do poeta Cruz e Sousa, é uma referência no estudo do Simbolismo, principalmente quando a intenção é focalizar a musicalidade, uma das principais características dessa estética. O poema foi escolhido como Texto Gerador não só pela presença recorrente de recursos sonoros comuns nos poemas simbolistas (assonância, aliterações, rimas), como também pela riqueza de imagens sugestivas.

VIOLÕES QUE CHORAM

Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
bocas murmurejantes de lamento.

Noites de além, remotas, que eu recordo,
noites de solidão, noites remotas
que nos azuis das Fantasias bordo,
vou constelando de visões ignotas.

Sutis palpitações à luz da lua
anseio dos momentos mais saudosos,
quando lá choram na deserta rua
as cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando,
quando os sons dos violões nas cordas gemem,
e vão dilacerando e deliciando,
rasgando as almas que nas sombras tremem.

Harmonias que pungem, que laceram,
dedos nervosos e ágeis que percorrem
cordas e um mundo de dolências geram,
gemidos, prantos, que no espaço morrem...

E sons soturnos, suspiradas mágoas,
mágoas amargas e melancolias,
no sussurro monótono das águas,
noturnamente, entre ramagens frias.

Constelando: “elevando aos céus” (imaginando).
Dilacerando: afligindo muito.
Dolências: Aflições, lágrimas, em estado doloroso, plangentes.
Ignotas: desconhecidas, ignoradas.
Laceram: se afligem muito.
Monótono: em um só tom.
Murmurejantes: rumorejantes (sussurrar),

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA

QUESTÃO 3:

A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista. Na construção da musicalidade, diferentes recursos sonoros são empregados: a aliteração (repetição de sons consonantais), a assonância (repetição de sons vocálicos), a métrica e a rima. Desse modo:

a) Identifique um verso em que seja marcante a figura sonora aliteração, informe
qual o som que marca essa aliteração e o que essa repetição do som pode sugerir.

b) Analise a 7ª estrofe e identifique quais são os sons vocálicos que se repetem de
forma harmônica em cada verso.

c) Identifique o esquema de rima das quatro primeiras estrofes do poema e diga se
são alternadas, intercaladas, emparelhadas ou mistas.

Habilidade trabalhada:

Analisar textos simbolistas, identificando recursos ligados à musicalidade.

Resposta comentada:

Quanto à musicalidade dos poemas simbolistas, é importante os alunos compreenderem que a poesia, em si, não apresenta fundo musical, ou seja, não foi musicada pelo poeta, mas que essa musicalidade é um elemento intrínseco à poesia, alcançada por meio do emprego de aliterações, assonâncias, rimas, repetições oportunas de fonemas etc. Essa questão, dividida em três itens, está dedicada aos três principais recursos usados pelos poetas com o objetivo de conferir tal efeito sonoro.

A. Você pode iniciar a correção deste item retomando a conceituação da aliteração como sendo uma figura de som que consiste na repetição de sons consonantais idênticos ou semelhantes em uma frase, um verso ou versos próximos, sobretudo nas sílabas tônicas. Espera-se que os alunos não tenham dificuldade em localizar, nessa poesia, um verso marcado pela aliteração, tendo em vista que a mesma nos oferece claras possibilidades na última estrofe.

Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

O aluno poderá apontar dois diferentes sons responsáveis por configurar as aliterações nesses versos: o fonema /v/ (vozes, veladas, veludosas, vozes, volúpias, etc.) e o fonema /l/ (veladas, veludosas, volúpias, violões). Além de identificar a aliteração, espera-se que os alunos percebam que um efeito de sentido possível criado por esse recurso é a sugestão do dedilhar de um violão.

B. Neste item, espera-se que o aluno consiga perceber, na 7ª estrofe do poema, a repetição de sons vocálicos nas sílabas tônicas dos versos. Relembre com eles que essa repetição recebe o nome de assonância, uma figura de linguagem (de som) bastante recorrente nos poemas simbolistas. Com a estrofe no quadro, você pode solicitar que os alunos digam a sílaba tônica de cada palavra constante dos versos, para, em seguida, verificarem quais vogais se repetem. Com isso, os alunos chegarão mais facilmente à resposta. Vejamos:

Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas

As vogais que constituem as assonâncias dessa estrofe são: o (presente nas palavras “vozes”, “velozes” e “vórtices”) e a (presente nas palavras “veladas” e “vulcanizadas”). Você pode mostrar que essas assonâncias contribuem, também,
para a formação das rimas. Relembre com os alunos que contamos as sílabas poéticas até a última sílaba tônica de cada verso e que, portanto, tais sílabas estão marcadas pela assonância, o que contribui para a melodia do verso.

C. Embora os alunos já tenham revisto o esquema de rima no 1º ciclo deste bimestre, não é demais recordar que a terminação de cada verso pode corresponder a uma letra (A, B, C etc.). Com essa questão, espera-se não somente que os alunos façam o esquema de rimas adequadamente, mas também percebam que a rima, na poesia, é um dos recursos que contribuem para a construção da musicalidade. Essa percepção é fundamental, pois demarca certa fronteira entre os poetas parnasianos e simbolistas: os primeiros cultivavam as rimas tendo em vista o rigor e perfeição da forma (a arte pela arte); os segundos, embora também possuam preocupação com a forma, não tornam essa preocupação o objetivo maior do fazer poético. O aluno deve perceber, ainda, após montar o esquema, que as rimas apresentadas são alternadas. Caso os alunos apresentem dificuldades em responder a questão, é possível relembrar os tipos de rimas existentes: alternadas emparelhadas (AABB) ou mistas (ABCD). (ABAB), intercaladas (ABBA), Ah! plangentes violões dormentes, mornos, soluços ao luar, choros ao vento... Tristes perfis, os mais vagos contornos, bocas murmurejantes de lamento.
(A)
(B)
(A)
(B)

Noites de além, remotas, que eu recordo, (C)
noites de solidão, noites remotas (D)
que nos azuis das Fantasias bordo, (C)
vou constelando de visões ignotas. (D)
Sutis palpitações à luz da lua (E)
anseio dos momentos mais saudosos, (F)
quando lá choram na deserta rua (E)
as cordas vivas dos violões chorosos. (F)
Quando os sons dos violões vão soluçando, (G)
quando os sons dos violões nas cordas gemem, (H)
e vão dilacerando e deliciando, (G)
rasgando as almas que nas sombras tremem. (H)

TEXTO GERADOR 3

A canção “Ode aos ratos” integra o CD Carioca, lançado por Chico Buarque no ano de 2006. A canção foi escolhida por ser de autoria de um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira, por ser contemporânea e por conter claros exemplos de recursos ligados à musicalidade, como a aliteração e a assonância.

ODE AOS RATOS

Rato de rua Arriba: para cima.
Irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Estuporador: Ser que se torna desprezível, que se zanga,
que fica furioso.
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago Frenética: agitada.
Atrás do seu quinhão
Irrequieta: agitada.
(...)
Libidinoso: libertino (que não se prende às convenções

Saqueador da metrópole
Tenaz roedor
De toda esperança
Estuporador da ilusão
Ó meu semelhante
Filho de Deus, meu irmão

Rato
Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato
Roto que ri do roto
Que rói o farrapo
Do esfarra-rapado
Que mete a ripa, arranca rabo
Rato ruim
Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato

sociais, especialmente, em relação ao comportamento
sexual).
Lúbrico: lascivo (libidinoso).
Ode: Composição poética de caráter lírico.
Proliferação: reprodução.
Quinhão: cota.
Tenaz: obstinado (teimoso).
Transeunte: Indivíduo que passa.

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 4:

A poesia é uma composição literária escrita em versos. Embora não seja concebida com melodia, conforme a canção, é possível notar que muitos poemas apresentam recursos sonoros que conseguem sugerir musicalidade aos versos. A canção, diferentemente da poesia, é constituída por letra e melodia: ela é feita para ser cantada. A letra e a melodia formam um todo que confere harmonia à composição da canção.
Na canção “Ode aos ratos”, de Chico Buarque, além de haver uma melodia (intrínseca a toda canção), há a presença de recursos sonoros – também facilmente encontrados nos poemas simbolistas – que contribuem para reforçar a musicalidade dos versos. Considerando essas características, destaque dois recursos sonoros empregados pelo compositor nessa canção.

Habilidade trabalhada:

Identificar os recursos expressivos do gênero textual canção, reconhecendo sua relação com a poesia e a música.

Resposta comentada:

Você pode, inicialmente, fazer a leitura compartilhada com os alunos e, em seguida, colocar a música1 para que todos ouçam e possam observar atentamente a melodia e possíveis recursos sonoros da canção.

Um dos aspectos a ser observado pelos alunos é a marcante aliteração ocasionada pela recorrente repetição do fonema /R/. Você pode mostrar aos alunos que, presente já no título da canção, o fonema /R/, inicial na palavra “rato”, é retomado em um grande número de versos e, normalmente, figura em palavras que são usadas para designar ações desse ser ou características por ele apresentadas. Um efeito de sentido

Disponível em: //letras.mus.br/chico-buarque/129836/. possível criado pela constante aliteração do /R/ é a agitação e fremência características da vida nos centros urbanos, onde habitariam o animal rato e homem-rato. Outro recurso a ser apontado pelos alunos é a assonância. Na primeira estrofe da canção, observa-se a repetição da vogal “u”, na sílaba tônica de três diferentes vocábulos (“rua”, “criatura” e “lúbrico”). Na última estrofe, se faz marcante a repetição das vogais “a” e “o”, que é reforçada pela aliteração do “r” e da própria repetição das palavras “rato” e “rói”.

Caso os alunos apontem a rima como resposta, é importante verificar em quais versos se basearam. É necessário frisar que a rima, apesar de estar presente na canção de Chico Buarque, não se enquadra em um padrão fixo como se observa nos poemas parnasianos e em boa parte dos poemas simbolistas. Alguns pares de versos podem ser apontados pelos alunos para marcar a presença desse recurso na referida música: Rato de rua /Irrequieta criatura; Tribo em frenética proliferação/Atrás do seu quinhão; Estuporador da ilusão/Filho de Deus, meu irmão.

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 5:

A ambiguidade consiste na duplicidade de sentidos que pode surgir no emprego de um vocábulo, em uma frase ou na totalidade de um texto. Quando não-intencional, a ambiguidade é vista como um problema do texto; entretanto, quando utilizada de modo intencional, ela representa um importante recurso expressivo e se faz presente em diferentes gêneros textuais: tiras cômicas, propagandas, poesias, canções.

O título da canção, “Ode aos ratos” sugere que a letra poderá ser entendida como uma exaltação (“Ode”) ao ser “rato”. Tendo em vista esse comentário e o fragmento acima, responda:

a) Na primeira estrofe de “Ode aos ratos”, que informações ajudam a descrever o animal rato?

b) Na segunda estrofe, há um par de versos em que o eu-lírico se identifica com esse ser que descreve. Destaque-o.

c) Considerando as características e os comportamentos apontados sobre o “ser” rato, pode-se dizer que a letra apresenta ambiguidade? Justifique sua resposta.

Habilidade trabalhada:

Reconhecer situações de ambiguidade e ironia que decorram do ponto de vista do autor ou eu-lírico.

Resposta Comentada:

Dividida em três itens, essa questão tem por objetivo principal levar os alunos a perceberem, gradativamente, a presença da ambiguidade na canção de Chico Buarque. Busca, também, tornar claro o fato de a ambiguidade constituir-se como um recurso expressivo quando é empregada de forma intencional por um compositor ou poeta.

A. Neste item introdutório, os alunos devem ser capazes de perceber que o início da letra da canção contém uma descrição do ser rato. Para tanto, o aluno pode apontar como possibilidades de resposta diferentes expressões: Irrequieta criatura, Tribo em frenética proliferação, Boca de estômago, Tenaz roedor.

B. Aqui, espera-se que o aluno perceba que o único momento no qual eu-lírico aparece claramente na canção é quando lança mão das expressões Ó meu semelhante / Filho de Deus, meu irmão. Esses são os versos que mostram não somente a presença do eu-lírico, mas também a sua identificação com o ser rato. Você pode ressaltar, ainda, que a expressão “Ó meu semelhante” pode ser entendida como uma forma de lamento pelo que sofre esse semelhante ou como uma espécie de exaltação à sua sobrevivência, apesar das mazelas.

C. Espera-se que o aluno consiga notar que o compositor escolhe o ser rato para estabelecer comparações com os seres humanos. Você pode mostrar, por exemplo, que as palavras rua, criatura, profanador, saqueador, estuporador, ao mesmo tempo em que fazem parte do campo semântico definidor do rato (animal), ajudam a delinear grandes problemáticas da condição humana: a mentira, a desonra, o roubo, a fome etc. É importante os alunos compreenderem que a forma como a letra da canção está organizada não torna claro se está sendo feita uma referência ao animal rato ou ao ser humano que, dada sua condição muitas vezes miserável, pode ser percebido como um rato.

TEXTO GERADOR 4


Alphonsus de Guimaraens é um grande representante do Simbolismo. Sua poesia é marcada pelo tema da morte e pela musicalidade, obtida mediante os recursos da aliteração e da assonância. No poema a seguir, o leitor pode visualizar um texto com metáforas, substantivos, adjetivos e locuções adjetivas, transmitindo um conflito existencial, expresso pelo mistério fúnebre, pela dor de existir e pelo ritmo das fases da vida.

AEIOU

Manhã de primavera. Quem não pensa Descamba: Declina.
Em doce amor, e quem não amará?
Fado: destino.
Começa a vida. A luz do céu é imensa...
A adolescência é toda sonhos.
A. Lutulenta: lamacenta.
O luar erra nas almas. Continua
Marulha: agita-se (o mar), formando ondas que,
nesse texto, se referem ao mar de lágrimas.
O mesmo sonho e oiro, a mesma fé.
Olhos que vemos sob a luz da lua...
Ocaso: desaparecimento do sol do horizonte;
A mocidade é toda lírios. E. ocidente, poente; fim; morte.
Oiro: ouro.
Descamba o sol nas púrpuras do ocaso.
As rosas morrem. Como é triste aqui!
O fado incerto, os vendavais do acaso...
Marulha o pranto pelas faces. I.
A noite tomba. O outono chega. As flores Penderam murchas. Tudo, tudo é pó.
Não mais beijos de amor, não mais amores...
Ó sons de sinos a finados! O.
Abre-se a cova. Lutulenta e lenta,
A morte vem. Consoladora és tu!
Sudários rotos na mansão poeirenta...
Crânios e tíbias de defunto. U.
Alphonsus de Guimaraens

Púrpuras: vocabulário relativo à cor vermelha.
Rotos: que se romperam; rasgados; maltrapilhos.
Sudários: espécie de lençol para envolver cadáveres.

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 6:
O poema “AEIOU”, de Alphonsus de Guimaraens, possui uma construção
pautada nas vogais, representando o estado de espírito do eu-lírico em cada estrofe. Há
uma sequência, que vai desde um ânimo otimista até uma sensação pessimista, realçada
por figuras de linguagem, como a metáfora e a metonímia.

A. No verso “A mocidade é toda lírios”, a construção de imagem foi possibilitada
por qual figura de linguagem?

(A) Comparação, pois ocorre uma comparação entre mocidade e lírios.
(B) Metonímia, pois o enunciado sugere a troca de mocidade por lírios.
(C) Metáfora, pois a alegria da mocidade é associada à beleza dos lírios.
(D) Sinestesia, pois há uma mistura de sensações entre mocidade e lírios.

B. Explique como essa figura de linguagem atua na construção de uma imagem sugestiva no poema.

Habilidade trabalhada:

Reconhecer o emprego de figuras de linguagem na construção de imagens sugestivas.

Resposta comentada:

A. A fim de esclarecer a primeira parte da questão, o professor pode explicar cada figura de linguagem do enunciado: metáfora, metonímia, comparação e sinestesia, usando exemplos do cotidiano ou literário. A comparação é baseada numa associação em que a partícula “como” é expressa explicitamente. Para aplicar essa noção em sala de aula, é sugerido que o professor transforme a oração “A mocidade é toda lírios” em “A mocidade é como lírios”, mostrando que o acréscimo do “como” estabelece uma comparação nitidamente definida. A sinestesia é baseada na mistura entre os sentidos (visão, audição, tato, olfato, paladar), como ocorre em “som colorido”. Nesse exemplo, são mescladas audição e visão. A metonímia é uma figura que faz a troca de uma palavra por outra, havendo possibilidade de relação parte/todo, autor/obra, singular/plural, abstrato/concreto, matéria/objeto e continente/conteúdo, como, por exemplo, “Ler Alphonsus de Guimaraens é importante” (as obras do autor, relação autor/obra). Já a metáfora, um recurso bastante usado no cotidiano; consiste em uma comparação entre algo concreto do cotidiano e um abstrato, sem o uso da partícula “como” ou qualquer outro conectivo. Essa figura é observada na expressão “A mocidade é toda lírios”, na qual há uma comparação implícita entre a juventude e a imagem da flor. Logo, a alternativa C é a resposta correta. B. Refletindo sobre a segunda parte da questão, é recomendável ao professor a leitura de estrofe por estrofe, discutindo com os alunos sobre as alegrias da
adolescência (primeira estrofe) e da mocidade (segunda estrofe) até chegar às tristezas após o pôr do sol (três últimas estrofes), exemplificando da seguinte maneira:

GRADAÇÃO NO POEMA A E I O U, DE ALPHONSUS DE GUIMARAENS

1ª estrofe: A: manhã, primavera, amor, vida, adolescência.
2ª estrofe: E: fé.
3ª estrofe: I: triste, incerto, vendavais.
4ª estrofe: O: noite, tomba, outono, flores, pó, amores.
5ª estrofe: U: lutulenta, defunto.

Nesse esquema, o professor pode mostrar o conteúdo metafórico da gradação, partindo de palavras com sentidos mais positivos em relação à vida: “manhã”, “primavera”, “amor” e “fé”. Depois, o professor pode mostrar as palavras que remetem ao aspecto negativo da morte: “triste”, “incerto”, “pó”, “lutulenta” e “defunto”.
Baseando-se nisso, o professor pode explicar a metáfora “A mocidade é toda lírios” em termos da fase positiva da segunda estrofe, motivada pela imagem de beleza da juventude, pelas flores belas e aromáticas dos lírios e pela fé. Para aprofundar essa discussão, o professor pode comentar que, na época da mocidade, é comum ter esperança e fé, comparadas pelo eu-lírico ao sonho e ao ouro, no verso “O mesmo sonho e oiro, a mesma fé”.

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA- QUESTÃO 7:

Os termos acessórios da oração são termos que, embora chamados de acessórios, podem especificar um substantivo, um verbo, um adjetivo ou um advérbio. Há três categorias: i) adjunto adnominal, usado para delimitar ou especificar o significado de um substantivo; ii) adjunto adverbial, usado para transmitir uma relação de circunstância do fato expresso pelo verbo; iii) e aposto, expressão que pode explicar ou especificar o significado de uma palavra no texto. A partir disso, responda às questões:

a) Sobre o verso “A luz do céu é imensa...” (primeira estrofe), explique o termo acessório “do céu” e sua função na expressão.
b) O verso “Sudários rotos na mansão poeirenta”, que aparece ao final do poema AEIOU, de Alphonsus de Guimarães, ajuda a compor, com seus termos acessórios, o clima de morte, decadência e degradação desta última estrofe. Leia
a estrofe completa e explique como esse efeito é obtido a partir dos adjuntos adnominais presentes no verso indicado.

Abre-se a cova. Lutulenta e lenta,
A morte vem. Consoladora és tu!
Sudários rotos na mansão poeirenta...
Crânios e tíbias de defunto. U.
Habilidade trabalhada:

Identificar os termos acessórios da oração.

Resposta comentada:

Ao abordar essa questão, é recomendável ao professor explicar os termos acessórios da oração, usando exemplos do cotidiano e da Literatura para que os alunos compreendam a função do adjunto adverbial, aposto e adjunto adnominal.

No caso do adjunto adverbial, é necessário explicar sua relação com o verbo e mencionar algumas circunstâncias envolvidas como probabilidade, intensidade e tempo, perceptível em exemplos cotidianos, como em “Provavelmente, eu vá estudar muito hoje”.

Ao comentar o aposto, o professor pode explicar que o termo pode vir entre vírgulas e resumir trechos anteriores, como em “Glória, poder, dinheiro, tudo passa”. Além disso, também poderá explicar o papel discursivo do termo, que ajuda a precisar o sentido do substantivo que o antecede.

Ao tratar do adjunto adnominal, é interessante apresentar sua função de delimitação do significado de um substantivo e de representação por meio de um adjetivo, de uma locução adjetiva, de um artigo, de pronome adjetivo, de numeral e de
oração adjetiva.

A) No caso do termo destacado na questão A, o vocábulo “luz” tem seu significado delimitado pela locução adjetiva “do céu”, diretamente relacionado à fase positiva da adolescência, repleta de sonhos e de esperanças.

O professor pode, ainda, destacar que o mesmo verso “A luz do céu é imensa...” possui outros adjuntos adnominais referentes ao substantivo “luz”: o artigo definido feminino “a” e o adjetivo “imensa”.

B) Com relação ao item B, é interessante destacar a diferença que faz o autor dizer sudário e sudário roto, mansão e mansão poeirenta. Lembre o aluno de que o que está sendo apresentado é uma cova, como indicado no primeiro verso da estrofe.

Sudário, como o aluno já sabe, era o tecido que, antigamente, envolvia os defuntos para serem sepultados. O poeta, ao adjetivá-lo como roto, destaca a deterioração em que um dia nos e encontraremos: não só é uma vestimenta de cadáver, como está rota. Esse sudário está posto em uma “mansão poeirenta”. Aqui, o adjunto provoca uma transformação do sentido do vocábulo “mansão”, o que também é propiciado pelo contexto. O adjunto adnominal ajuda a construir uma metáfora para cova. Mansão, que remeteria inicialmente para um lugar de requinte e luxo, ao receber o adjetivo poeirenta, é como um lugar desagradável, insalubre. Assim, os termos acessórios são aqui fundamentais para que a gradação (já estudada) do poema se concretize, mostrando o destino da vida humana: repousar os ossos em mortalha que se tornará rota, “habitando” um lugar poeirento.

ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL

QUESTÃO 8:

A paráfrase é um tipo de texto em que o autor reafirma, em palavras diferentes, o mesmo sentido de uma obra. Esse recurso textual pode ser construído a partir da afirmação geral da ideia de determinada obra ou como esclarecimento de uma passagem difícil. Geralmente, a paráfrase se aproxima do tamanho do texto original.

A partir do poema Cavador de infinito, de Cruz e Souza, produza uma paráfrase, lembrando que é necessário manter a ideia central do poema parafraseado.

Com a lâmpada do Sonho desce aflito
E sobe aos mundos mais imponderáveis,
Vai abafando as queixas implacáveis,
Da alma o profundo e soluçado grito.

Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito
Sente, em redor, nos astros inefáveis.
Cava nas fundas eras insondáveis
O cavador do trágico Infinito.

E quanto mais pelo Infinito cava
mais o Infinito se transforma em lava
E o cavador se perde nas distâncias...

Alto levanta a lâmpada do Sonho.
E como seu vulto pálido e tristonho
Cava os abismos das eternas ânsias!

Para auxiliá-lo nessa tarefa, siga as seguintes dicas:
1º -Ao fazer a leitura do poema de Cruz e Souza, sublinhe as palavras com significado desconhecido por você;
2º -Consulte o dicionário ou pergunte ao professor os significados dos termos desconhecidos por você no poema. Então, tente substituí-los pelos seus sinônimos e leia novamente o poema;
3º -Após a leitura do poema, reflita por um instante sobre sua temática central e explore essa ideia na produção do seu texto;
4º -Observe as rimas, a quantidade de versos, as estrofes, o tamanho e a organização sintática das frases para tentar aproximar as formas do texto original e do texto parafraseado;
5º -Para que você tenha sucesso nessa atividade, saiba: é interessante que o leitor, ao ler a sua paráfrase, lembre-se do texto original, caso o conheça.

Habilidade trabalhada:

Produzir paráfrases a partir dos poemas estudados.

Comentário:

Após a apresentação da questão de produção textual, é aconselhável orientar os alunos para a preocupação da forma e do conteúdo no poema parafraseado. No plano da forma, vale destacar o emprego de sinônimos, a mudança de ordem dos termos no período, de modo a desfazer os hipérbatos originais, e a sonoridade dos vocábulos como recursos interessantes para a manutenção do texto base, ou seja, o texto parafraseado. No plano do conteúdo, a preocupação é ainda maior, pois a principal característica da paráfrase é a permanência da ideia principal do texto motivador. Por isso, é necessário que você destaque uma estrofe do poema e inicie o passo a passo, conforme as dicas destinadas ao aluno na questão. Após essa breve demonstração, é interessante que você compare sua produção a fim de estabelecer coerência com o texto
original. Para ilustrar esse exercício, segue o seguinte quadro, que pode ser construído juntamente com os alunos em sala de aula.

Na paráfrase, não há necessidade de o texto secundário ter as rimas idênticas ao texto primário. O importante é que a adaptação/ reescrita/ renovação promovida pela paráfrase permita a percepção do texto original através da intertextualidade.

TEXTO GERADOR 5
O próximo Texto Gerador, “Pela internet”, é uma canção do músico Gilberto Gil, grande compositor da MPB e conhecido por explorar criativamente as palavras através de combinações sonoras e sugestivas. A partir deste texto, podem ser
trabalhadas habilidades do eixo Leitura e desenvolvida mais uma proposta de Produção Textual.

PELA INTERNET
(Gilberto Gil)

Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Um barco que veleje
Que veleje nesse informar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut de acessar
O chefe da Mac Milícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus para atacar os programas no Japão
Eu quero entrar na rede para contatar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar...

Web: Sistema de hipermídia disponível na Internet, com documentos e outros objetos localizados em pontos diversos da rede e vinculados entre si; o conjunto de informações assim disponíveis.
Home-page: palavra inglesa na união entre home (casa) e page (página), significando a
página de entrada na Internet.
Gigabyte (s): palavra inglesa na união entre giga e byte, significando a unidade de
medida de informação, equivalente a 1024 megabytes.
Infomaré: neologismo que apresenta a união entre informática e maré.
E-mail: correio eletrônico.
Hot-link: termo utilizado para designar um link direto de um arquivo (imagem, vídeo,
som ou qualquer outro arquivo) de um site para outro.
Site: conjunto de documentos inter-relacionados, dispostos na Web em um endereço
específico de acesso.

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 9:
Assim como a poesia simbolista, a canção “Pela Internet” explora recursos sonoros, como aliterações e assonâncias, e constrói imagens sugestivas por meio de figuras de linguagem. A partir da letra de Gilberto Gil, destaque exemplos desses
recursos e das imagens construídas.

Habilidade trabalhada:

Identificar os recursos expressivos do gênero textual canção, reconhecendo sua relação com a poesia e a música.

Resposta Comentada:

Para auxiliar o aluno na resposta dessa questão, é importante explicar algumas figuras de linguagem como a aliteração, a assonância, a metáfora que, presentes na canção, também são abundantes nos poemas simbolistas. Para isso, pode-se apresentar um quadro que sintetize os conceitos, como o seguinte:

FIGURAS DE LINGUAGEM
Nome Conceito Exemplo

Metáfora Comparação implícita que estabelece uma relação entre dois termos, sugerindo semelhanças. “Teus olhos são duas pérolas” (a imagem do olhar da pessoa está sendo associada ao brilho das pérolas).
Aliteração Repetição expressiva de um fonema consonantal. “Os perfumes, as cores e os sons se correspondem” (verso de
“Correspondências”, de Clarles Baudelaire, usando a repetição do “s”).
Assonância Repetição de sons vocálicos idênticos ou aproximados. “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras” (verso de “Antífona”, de Cruz e Souza, usando a repetição do “a”).
Anáfora Repetição de um termo no início de cada verso ou frase. Tudo era silencioso, tudo nebuloso, tudo confuso (repetição do pronome “tudo”).
Inversão ou repetição de termos, com ou sem alterações.
Quiasmo “... tinha uma pedra no meio do caminho,/ no meio do caminho tinha uma pedra (verso do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade).
Epizeuxe ou Repetição de vocábulo ou -Linda, linda, linda! (A palavra é Reiteração expressão repetida três vezes nesse
exemplo).

Depois de expor alguns recursos estilísticos, usando exemplos do cotidiano e de versos de autores consagrados, o professor pode esclarecer as figuras de linguagem que aparecem na canção “Pela Internet”, relacionando a preocupação do autor com a forma e expressão ao fazer poético.

Primeiramente, o professor pode tratar da aliteração por meio do estudo da repetição do fonema /R/ e /r/ no texto. O som de um r “mais forte” pode ser perceptível a partir da leitura de vocábulos como “barco”, “informar”, “porto”. Já o som de um r “mais fraco” pode ser compreendido a partir de palavras como “quero”, “lares” e “bares”. Ainda é possível observar outros casos, como a repetição do /m/ em “O chefe da Mac Milícia de Milão”. Por sua vez, a assonância pode ser entendida a partir da repetição do fonema /i/ na leitura de palavras como “informar”, “disquete” e “micro”,
ou ainda, do fonema /e/ em “tietes de Connecticut”.

Em relação ao aspecto semântico, o professor pode expor o neologismo “infomar é”, do verso “que aproveite a vazante da infomaré”, criado a partir da união entre as ideias de informática e do mar. Neste caso, a vastidão do mar é associada à
infinidade de informações disponíveis pela internet. A maré, portanto, corresponde metaforicamente a uma grande carga de dados disponíveis através dos links da Internet. Outros recursos relevantes são a reiteração enfática, a anáfora e o quiasmo, também observados na letra da música “Pela Internet”. A reiteração enfática ocorre na repetição das expressões “Um barco que veleje”e“Um grupo de tietes de Connecticut”. A anáfora pode ser demonstrada por meio da repetição do termo “que” em “Que veleje nesse informar/ Que aproveite a vazante da infomaré/ Que leve um oriki do meu velho
orixá” etc. Já o quiasmo pode ser visto no cruzamento dos versos em “Um grupo de tietes de Connecticut/ De Connecticut de acessar” e em “Um barco que veleje/ Que veleje nesse informar”.

Além disso, vale destacar para os alunos o uso de trocadilhos, como “informar” e “infomaré”; “Connecticut”, nome de um estado norte-americano, e “conecte”, forma do verbo conectar. Esses casos deixam clara a exploração da sonoridade das palavras na criação de novos sentidos e imagens sugestivas.

ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL


QUESTÃO 10:

A poesia do Simbolismo tinha na exploração da sonoridade das palavras um dos seus principais recursos expressivos. Além disso, os poetas simbolistas costumavam criar imagens sugestivas, para o que contribuíam figuras de linguagem com a metáfora, a comparação e a sinestesia. De igual modo, o gênero canção também se utiliza de tais recursos e sugere imagens, como ficou claro pelo exame das letras de “Ode aos ratos” e “Pela internet”, canções presentes neste Roteiro de Atividades.

A partir do estudo deste ciclo, você poderá desenvolver um texto comparando um poema simbolista e uma canção contemporânea. Para ajudá-lo no desenvolvimento do texto, considere as seguintes dicas:

1) Destaque os recursos sonoros de cada texto, ou seja, observe as aliterações, assonâncias, anáforas etc.;
2) Em seguida, busque por figuras de linguagem responsáveis pela construção de imagens, como metáforas e sinestesias;
3) Reflita sobre o efeito de cada recurso e de cada figura de linguagem nos textos;
4) Relacione, então, suas observações através de um texto comparativo;
5) Em seu texto, não se esqueça de destacar como recursos semelhantes podem ser explorados com rendimentos tão variados em épocas e gêneros tão distintos.

Se precisar de ajuda para estruturar seu texto, peça ao seu professor. Agora, mãos à obra!

Habilidade trabalhada: Estabelecer comparações entre poemas simbolistas do século XIX e letras de canções
contemporâneas.

Comentário:

No desenvolvimento dessa questão, o mais importante é que os alunos observem a presença dos recursos expressivos nos poemas e canções escolhidas para análise. Essa seleção pode ser feita pelo próprio professor que, se preferir, pode aproveitar os poemas simbolistas e canções presentes neste material. O ideal, porém, é auxiliar os alunos na escolha de outros textos. Para isso, é possível apresentar à turma algumas sugestões. Com relação às canções, por exemplo, ótimas alternativas são encontradas entre as composições de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Lenine, Arnaldo Antunes, Zeca
Baleiro e Chico Buarque.

Apesar de tantas opções, os alunos ainda podem ter dificuldade no desenvolvimento da atividade comparativa devido ao aspecto temático. É compreensível que, ao tentar relacionar textos de gêneros e épocas tão diferentes, eles busquem,
mesmo sem perceber, semelhanças temáticas. Contudo, vale destacar que tal aproximação, neste caso, seria bastante difícil. Enquanto a poesia simbolista era marcada pela sugestão e pelo misticismo, a canção contemporânea costuma falar
abertamente sobre o amor. Além disso, nem de longe, essa relação é a mais relevante para consolidar o aprendizado a respeito dos recursos expressivos e das imagens sugestivas estudadas neste ciclo. Vale, portanto, alertá-los para que não percam o foco. É importante chamar a atenção da turma para a necessidade de comentar os efeitos dos recursos observados nos textos. Além de reconhecê-los, é fundamental que os alunos falem sobre o sentido de cada recurso sonoro ou figura de linguagem e avaliem a contribuição do efeito gerado na interpretação global do poema e da canção.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

QUERIDOS ALUNOS ! SEI QUE NÃO PODEM PERDER TEMPO, ENTÃO AQUI ESTÁ UM ESTUDO SOBRE -1ª PARTE - 3º BIMESTRE - mesmo em greve podemos estudar..A ESCOLHA É TUA !

CECIERJ
1º ciclo do 3º bimestre da 2ª série
 POESIA NO PARNASIANISMO

TEXTO GERADOR I

O primeiro texto gerador desse ciclo, As pombas, é de autoria de Raimundo
Correia. A obra desse poeta normalmente remete a temas como a natureza, a perfeição
formal dos objetos e a cultura clássica. Já sua poesia filosófica, de meditação, é marcada
pela desilusão e por um forte pessimismo. Ressalta-se a força lírica do autor,
principalmente quando canta a natureza, conforme se observa no poema As pombas. O
primeiro gerador é um soneto, no qual se evidencia não somente o tema da natureza, mas
também o culto à forma através do uso de vocábulos raros, de inversões frasais
(hipérbatos), de rimas ricas e de verbos decassílabos. A partir desse texto, serão
trabalhadas habilidades dos eixos leitura e uso da língua.


AS POMBAS

 Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
Raimundo Correia
Glossário
Céleres: velozes.
Nortada: “vento frio e/ou áspero que
sopra do norte”.
Revoada: bando de aves que revoam.
Ruflar: agitar as asas para voa
r.

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 1

Os poetas parnasianos tinham como um de seus preceitos básicos o culto da forma.
Por essa razão, cultivavam o soneto: composição poética de 14 versos distribuídos em dois
quartetos e dois tercetos, apresentando métrica – normalmente versos alexandrinos (12
sílabas poéticas) e decassílabos (10 sílabas poéticas) - e rima.

A - Sobre o poema “As pombas”, assinale a alternativa correta:

a) É um soneto de versos alexandrinos, com as rimas ABBA (nos quartetos) e
CCD/EED (nos tercetos).
b) É um soneto de versos decassílabos, com as rimas ABBA (nos quartetos) e
CCD/EED (nos tercetos).
c) É um soneto de versos alexandrinos, com as rimas ABBA (nos quartetos) e CCD
(nos tercetos).
d) É um soneto de versos decassílabos, com as rimas ABBA (nos quartetos) e CCD
(nos tercetos).

B - Muitos sonetos parnasianos cultivaram a rima rica, ou seja, quando a rima
acontece entre palavras de classes gramaticais diferentes. No poema “As pombas”,
temos um exemplo de rima rica na seguinte alternativa:

a) soltam/voltam
b) abotoam/voam
c) pombais/mais
d) nortada/revoada

Reconhecer a estrutura do soneto e os recursos prosódicos para diferenciá-lo das formas
poéticas não fixas.

Resposta comentada

O texto gerador I, o soneto “As pombas”, é um exemplo bastante ilustrativo do
culto à forma preconizado no parnasianismo. O soneto é uma forma fixa, ou seja, uma
estrutura rígida. Normalmente é formado por 14 versos distribuídos em 2 quartetos e 2
tercetos, mas também há sonetos formados por 2 quartetos e um dístico. É importante
ressaltar que a opção por uma forma fixa já denota certa preocupação com a estrutura
formal da poesia. Soma-se à rigidez da forma, a preocupação com as rimas.
A. Antes de iniciar a correção dessa questão, é necessário realizar a escansão dos versos
no quadro. A título de exemplo, apresenta-se a seguir, a escansão da primeira estrofe
do poema.


B.
Vai / se a/ pri / mei / ra / pom / pa / dês / per / ta / da
Vai/ -se ou/ tra / mais../.mais /ou/ tra...en/ fim / de/ ze/ nas.
De /pom / bas / vão-/ se / dos / pom/ bais/, a/ pe / nas
Rai/ a/ san/ güí/ nea e / fres/ ca a/ ma/ dru/ ga/ da.

Fazer a escansão é importante não apenas para que os alunos possam ser induzidos à
resposta correta, mas também para sanarem possíveis dúvidas relativas à divisão de
sílabas poéticas. A escansão dos versos de As pombas, que possuem 10 sílabas (é
considerada como última sílaba poética a sílaba tônica da última palavra do verso),
naturalmente faz com se elimine duas possibilidades de respostas, já que as opções “a”
e “c” afirmam serem alexandrinos (12 sílabas) os versos do poema. Entretanto, restam
duas alternativas a serem analisadas pelo aluno: “b” e “d” que afirmam serem
decassílabos os versos. Após a escansão, é importante montar no quadro o esquema da
rima do poema. Para isso, lembre aos alunos de que a cada rima diferente que se
apresenta no poema se atribui uma letra (A, B, C, D, E etc.).


As pombas
 

Vai-se a primeira pomba despertada... (A)
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas (B)
De pombas vão-se dos pombais, apenas (B)
Raia sanguínea e fresca a madrugada...(A)
E à tarde, quando a rígida nortada (A)
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,(B)
Ruflando as asas, sacudindo as penas,(B)
Voltam todas em bando e em revoada...(A)
Também dos corações onde abotoam,(C)
Os sonhos, um por um, céleres voam,(C)
Como voam as pombas dos pombais;(D)
No azul da adolescência as asas soltam,(E)
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, (E)
E eles aos corações não voltam mais... (D)


Com relação ao esquema de rima, apenas a análise dos quartetos não é suficiente
para que se responda a questão. O aluno precisará observar também os tercetos para
concluir que a alternativa correta é a letra “b”. Caso o aluno marque a opção “d” como
correta, ele possivelmente não terá atentado para o fato de que a rima do primeiro
terceto é –am (abotoam/voam), enquanto a do segundo terceto é –tam
(soltam/voltam.). Ainda que a turma não manifeste dúvidas a respeito dessa
diferenciação, vale a pena ressaltá-la.
C. Inicialmente, é importante definir as rimas ricas e pobres por oposição. Enquanto as
primeiras são formadas por palavras de categorias gramaticais diferentes, as rimas
pobres são constituídas por palavras de mesma classe gramatical. A opção “a”
provavelmente não causará dúvidas nos alunos, tendo em vista que as duas palavras
são verbos bastante usuais em nossa língua. O mesmo pode ser dito com relação à
opção “b”, que também possui dois verbos comumente utilizados. A opção que pode
provocar dúvidas no aluno é a “d”, por conter vocábulos que não fazem do
vocabulário cotidiano. Por essa razão, é importante sugerir a busca dessas palavras no
dicionário quando da leitura do poema. Outra possibilidade seria simplesmente colocar


os significados no quadro, para que os alunos percebam mais facilmente tratar-se de
dois substantivos. Com isso, o aluno eliminará a opção “d”. Na indicação da resposta
correta (letra “c”), é importante ressaltar não somente que pertencem a classes de
palavras diferentes (substantivo/advérbio), mas também o fato de essa ser uma
construção típica nos poemas parnasianos. Aproveite para lembrar que os poetas
parnasianos primavam não só pelas rimas, como ainda pelo emprego de vocábulos
raros que normalmente não são usados na composição das mesmas.


ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA

QUESTÃO 2

“As pombas” é um soneto terminado com “chave de ouro”, isto é, um verso final
bem escrito, que procura condensar uma ideia e arrematar o poema com um belo efeito. A
figura de linguagem que contribuiu para a construção do efeito “chave de ouro” no referido
poema foi:

a) antítese
b) elipse
c) anáfora
d) hipérbato

Identificar os efeitos de sentido produzidos pelo emprego de figuras de sintaxe como
elipse, anáfora, hipérbato.

Resposta comentada
Os poetas parnasianos cultivaram o soneto de tradição clássica, composição poética
de quatorze versos - articulada obrigatoriamente em dois quartetos e dois tercetos - e que
se encerra com uma "chave de ouro", ou seja, uma espécie de síntese do poema, que se

manifesta no último verso. Um dos poetas que mais cultivou essa prática foi Olavo Bilac,
conhecido como o “ourives da linguagem”. É importante ressaltar, na correção, que as
figuras de linguagem podem estar presentes em qualquer estrofe do poema, mas também
que, quando empregadas no último verso, podem contribuir para o desfecho triunfal do
mesmo
.
Antes de iniciar correção, é interessante relembrar junto aos alunos em que consiste
cada uma das figuras que aparecem nas alternativas da questão. Pode ser reforçada a ideia
de que a antítese consiste na aproximação de palavras e ideias antônimas (opostas). Vale
lembrar que este recurso expressivo teve extraordinário desenvolvimento no Barroco. Já a
anáfora, consiste na repetição de uma ou mais palavras no princípio dos versos ou no
início de cada um dos segmentos da frase. Ocorre anáfora, por exemplo, nos dois primeiros
versos do poema (“Vai-se” / “Vai-se”). No que diz respeito à figura elipse, que não
apresenta ocorrência no poema “As pombas”, dizemos que consiste na omissão de termos
facilmente subentendidos por meio do contexto. Por último, o professor pode abordar o
hipérbato (opção B), resposta correta da questão
.

O hipérbato é uma das figuras de linguagem mais cultivadas pelos poetas
parnasianos. Consiste na apresentação indireta dos elementos composicionais da frase
(sujeito, verbo, complementos), visando à pomposidade, ao enobrecimento da linguagem
propriamente dita. Tendo esse breve aparato teórico, os alunos serão levados a perceber
que a única figura de linguagem presente no último terceto é o hipérbato. Após a indicação
da resposta correta, cabe a explicação de que a ordem direta dos últimos versos seria “mas
as pombas voltam aos pombais/ e eles não voltam mais aos corações”.


TEXTO GERADOR II

O segundo texto gerador do ciclo intitula-se A um poeta. Seu autor, Olavo Bilac, é
considerado o “ourives da linguagem” devido a sua preocupação com a forma poética.
Bilac buscava escrever sonetos com versos alexandrinos e, como os outros poetas da
tríade, colocou-se à margem dos grandes acontecimentos políticos e sociais do seu tempo.A um poeta, soneto de verbos decassílabos, tematiza o ofício de ser poeta e clarifica o ideal
da arte pela arte, um dos principais lemas da estética parnasiana. A partir desse texto,
serão trabalhadas habilidades dos eixos leitura e uso da língua.

A UM POETA

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
Olavo Bilac


Glossário

Artifício: recurso engenhoso
Beneditino: aquele que segue as regras
de São Bento, fundador do sistema
monástico cristão. Monge da Ordem de
São Bento.
Claustro: ambiente de isolamento
Estéril: improdutivo.
Suplício: a aflição.
Turbilhão: movimento

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 3

Leia o fragmento a seguir:

“A busca da objetividade temática e o culto da forma são as mais importantes
características do Parnasianismo. Os poetas parnasianos opunham-se ao
individualismo, ao sentimentalismo e ao subjetivismo românticos, e procuraram voltar
sua poesia para temas que consideravam mais universais, como a natureza, a história,
o amor, os objetos inanimados, além da própria poesia. Essa poética da
impessoalidade era reforçada pelo gosto da descrição e do rigor formal. O ideal da
"arte pela arte" resultou em acentuada preocupação com a versificação e a
metrificação, pois se acreditava que a Beleza residia também na forma.”
(http://www.itaucultural.org.br)

Em “A um poeta”, Olavo Bilac aproxima o ofício de ser poeta ao ofício de um
escultor: Ambos buscam moldar perfeitamente a forma de seus objetos estéticos. Tendo
por base a leitura do poema de Olavo Bilac e do fragmento acima, responda:

a) Explique por que o último verso da 1ª estrofe é representativo do ideal da
“arte pela arte”.
b) Destaque um verso no qual o eu - lírico exteriorize a ideia de que o esforço
empreendido na busca pela forma perfeita não pode transparecer no
resultado final da poesia.

Reconhecer o ideal estético da arte pela arte em contraposição à análise objetiva da
realidade.

Resposta comentada

O texto gerador III é um poema que tematiza o ofício de ser poeta. “A um poeta”
aborda o modo de fazer poesia proposto pelos parnasianos. O soneto de Bilac é bastante
representativo do ideal “da arte pela arte”, segundo o qual a arte não tem nenhum sentido
utilitário e nenhum compromisso com a humanidade, a não ser com a beleza. Apesar de
contemporâneo ao Realismo/Naturalismo, a estética parnasiana foi muito diferente de
ambas. Isso porque, enquanto esses dois movimentos da prosa buscavam analisar e
compreender a realidade social e humana, para o parnasianismo, o objetivo maior da arte
não era tratar dos problemas sociais, mas sim alcançar a perfeição da construção poética.
A. Na resposta dessa questão, espera-se que o aluno demonstre ter percebido que o último
verso da primeira estrofe traduz a ideia de que, para alcançar a forma perfeita, faz-se
necessário o poeta trabalhar bem com o objeto da poesia, ou seja, a palavra. É
importante que a resposta do aluno reconheça o valor que os poetas parnasianos
atribuíam à forma do poema. O professor pode mostrar que a ideia de trabalhar
arduamente para moldar a forma da poesia (“Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua”)
além de estar presente nesse verso, estende-se na segunda quadra. Seria interessante,
após a correção dessa questão, levar ao conhecimento dos alunos outro poema de Bilac
que aborda o ofício de ser poeta, “Profissão de fé”
.

Veja fragmentos:

"Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
com que ele, em ouro, alto-relevo
Faz de uma flor.
(...)
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e,enfim,
no verso de ouro engasta a rima,
como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
do ourives, saia da oficina
sem um defeito.”

Em “Profissão de fé”, o eu-lírico afirma invejar um ourives, ou seja, alguém que se
dedica a um trabalho paciente, minucioso e delicado. Acentua, ainda, a importância da
escolha das palavras precisas, do cuidado com as frases e realça o "polimento" dos versos,
para que o poema se torne uma espécie de objeto precioso e belo, semelhante a uma joia.
B. É importante ressaltar junto aos alunos que o eu-lírico adverte que o resultado final da
poesia deve ocultar todo esforço que o poeta empregou na construção dos versos. O
ato de criação da poesia, em A um poeta, é comparado a um extremo sofrimento. Tal
sofrimento, contudo, jamais deve transparecer no resultado final. O que o aluno
precisa depreender é que a forma perfeita alcançada com bastante esforço pelo poeta
deve parecer natural, ou seja, as dificuldades de sua construção não podem ser vistas.
Como possibilidades de resposta há dois pares de versos: “Mas que na forma se
disfarce o emprego / Do esforço; e trama viva se construa e “Não se mostre na
fábrica o suplicio / Do mestre. E, natural, o efeito agrade”.


ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA

QUESTÃO 4

No primeiro quarteto do soneto “A um poeta”, de Olavo Bilac, o eu-lírico procura
construir uma imagem de sacrifício para a produção de um poema perfeito. Para isso, lança
mão, no último verso desse quarteto, de duas figuras de linguagem: a gradação ou clímax e
a metonímia. Explique como essas figuras de linguagem ajudam a construir essa imagem
que sugere o qual árduo é o trabalho do poeta.
Habilidade:

Reconhecer o emprego de figuras de linguagem na construção de imagens sugestivas.

Resposta Comentada:

É importante destacar para o aluno que o poeta parnasiano primava pela perfeição da
forma. Alcançá-la não era algo fácil. A gradação ou clímax é o recurso utilizado para
demonstrar isso. No poema apresentado, o eu-lírico pretende demonstrar a dedicação e
sofrimento por que passa para atingir seu objetivo.
Consideremos o último verso do primeiro quarteto: “Trabalha e teima, e lima, e
sofre, e sua!”. Peça para o aluno avaliar cada um dos verbos que compõem esse verso e
refletir como ele se sentiria se estivesse em um trabalho em que tivesse que realizar as
ações por eles propostas. É bem possível que o aluno demonstre a percepção de que
terminaria exausto. Leve-o a perceber que “trabalhar” exige esforço do indivíduo, mas que
“teimar” é no mínimo trabalhar em dobro, pois implica refazer o trabalho. Após refazer o
trabalho, ele “lima”. Limar, segundo o dicionário Aurélio é “desgastar, raspar ou polir com
lima”. Lima é, segundo o mesmo dicionário, “Ferramenta manual, de aço, cuja superfície é
lavrada de estrias muito próximas entre si, e utilizada para polir, ou desbastar ou raspar
metais ou outros objetos duros”. Sendo assim, após trabalhar, refazer o trabalho, o poeta
compara seu trabalho ao de quem usa uma ferramenta manual para desgastar algo duro.
Desta forma, o trabalho parece mais difícil e árduo que a própria repetição. O aluno
perceberá, então, que o trabalho do poeta exige um esforço crescente, e que isso é
percebido na forma como vai substituindo o verbo anterior por outro que indica um maior
grau de dificuldade.
O verso em análise termina com os verbos sofrer e suar, que funcionam, ao mesmo
tempo como níveis finais de dificuldade, mas também constituem uma metonímia, visto
que são consequência das ações expressas pelos verbos anteriores. Neste caso, portanto, é
possível notar a figura da metonímia pela relação de causa e efeito. Trabalhar, teimar e
limar tiveram como consequência sofrer, que, por sua vez, resultou em suar. O sofrimento
e o suor são as expressões finais do empenho e da dedicação, impingida pelo árduo
trabalho de fazer versos.
Ao usar essas duas figuras de linguagem, Bilac constrói essa imagem de entrega total
do poeta a seu ofício, pagando o preço do sofrimento para a criação do belo
.

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA

QUESTÃO 5

Termos acessórios da oração são aqueles que, embora não integrem
necessariamente a estrutura básica da oração, contribuem por informarem características
ou circunstâncias relativas a um substantivo, pronome ou verbo. A partir disso, responda
aos itens a seguir:

A) O aposto é um dos termos acessórios da oração que tem por função explicar,
esclarecer, resumir ou comentar algo sobre um termo de natureza nominal. Em “A
um poeta”, destaque um aposto e diga o nome ao qual ele está relacionado.
B) A atividade de escrita do poeta é apresentada como um trabalho árduo, que requer
recolhimento e concentração. Para expressar isso, o poema recorreu a uma
abundância de adjuntos adverbiais, termos acessórios que podem indicar a
circunstância de um verbo ou intensificar seu sentido, bem como o de um adjetivo
ou de outro advérbio. Tais adjuntos caracterizam de forma marcante todo o
envolvimento requerido pelo ofício de escrever. Identifique-os, relacionando-os às
necessidades de recolhimento e concentração expressos no soneto

Identificar os termos acessórios da oração.

Resposta Comentada:

A) Antes da correção da questão, é importante relembrar que são denominados de
“acessórios” os termos secundários da oração, que não integram necessariamente a
estrutura básica da oração.
Os termos acessórios, apesar de prescindíveis, contribuem para o entendimento do
enunciado porque informam alguma característica ou circunstância dos substantivos,
pronomes ou verbos que os acompanham. Dividem-se em adjunto adnominal, adjunto
adverbial e aposto.


Para que o aluno identifique o aposto no poema, é necessário reforçar a ideia de que
se trata de um termo cuja função é explicar, esclarecer, identificar de modo mais exato ou
resumir um nome da oração ao qual ele se refere. Tendo por base essas informações, será
mais fácil o aluno identificar os termos com função de aposto que aparecem no poema. São
eles: “gêmea da verdade”, “arte pura”, “inimiga do artifício”. O termo ao qual tais apostos
se referem é o substantivo Beleza, presente no primeiro verso do segundo terceto.


B) Neste item, seria interessante trabalhar o vocabulário para que o aluno
compreendesse bem as necessidades de recolhimento e concentração mencionados na
questão. Como nossa questão centra-se no primeiro quarteto, trabalhe com os alunos os
sentidos dos verbos e nomes que ali aparecem. Isso facilitará o desenvolvimento da
questão. Assim, no primeiro verso, certifique-se de que o aluno entenda o sentido da
palavra estéril para que, desta forma, perceba que o barulho e o tumulto da rua impedem a
produtividade do poeta: o “turbilhão da rua” é estéril, não produz nada. Esse é o primeiro
adjunto adverbial que aparece no texto e que vai remeter à necessidade de recolhimento
para que a escrita se torne possível. A informação principal é que “Beneditino escreve!”.
O adjunto adverbial que, no texto, precede a oração, vai indicar uma circunstância de lugar
para o verbo escrever: “Longe do estéril turbilhão da rua”, marcando assim a referida
necessidade de recolhimento.
A necessidade de concentração está relacionada à de recolhimento, pois é através
deste afastamento da rua que será possível concentrar-se. Essa concentração toda se faz
necessária devido à dureza do trabalho de escrita, expresso nas orações do quarto verso do
poema: “Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!”. Esse árduo trabalho é realizado onde?
“No aconchego/Do claustro, na paciência e no sossego”. Nestes versos podemos perceber
como o poeta ressalta a circunstância de seu trabalho, que, apesar de árduo, é feito em um
lugar acolhedor. A passagem “na paciência e no sossego” não indica uma circunstância de
lugar, mas de modo. Trabalhar, teimar, limar, sofrer e suar são ações realizadas “na
paciência e no sossego”, ou seja, paciente e sossegadamente. Só com muita concentração é
possível fazer um trabalho cuja dificuldade e constância são expressas na seleção de verbos
que indicam um nível crescente de empenho, de modo tal que, por fim, sem ter como
indicar por outro termo a dureza do trabalho, simboliza-a com a consequência de seu
esforço: o suor. Podemos considerar que os versos “No aconchego/Do claustro, na
paciência e no sossego” reúnem as duas necessidades: a de recolhimento, que é reforçada
na caracterização do claustro, definido como aconchegante, e a de concentração, expressa
no modo como o trabalho constante é realizado com paciência e sossegadamente.


TEXTO GERADOR III

O poema seguinte é da autoria de Alberto de Oliveira, um dos grandes
representantes do Parnasianismo e que, juntamente com Raimundo Correia e Olavo Bilac,
integrou a famosa tríade parnasiana. Através desse poema, será possível aprofundar as
relações entre as características da estética e seu contexto social e histórico por meio de
atividade do eixo de leitura.

O ÍDOLO

Sobre um trono de mármore
sombrio,
Em templo escuro, há muito
abandonado,
Em seu grande silêncio, austero e
frio
Um ídolo de gesso está sentado.
E como à estranha mão, a paz
silente
Quebrando em torno às funerárias
urnas,
Ressoa um órgão compassadamente
Pelas amplas abóbadas soturnas.
Cai fora a noite - mar que se retrata
Em outro mar - dois pélagos azuis;
Num as ondas - alcíones de prata,
No outro os astros - alcíones de luz.
E de seu negro mármore no trono
O ídolo de gesso está sentado.
Assim um coração repousa em
sono...
Assim meu coração vive fechado.
Alberto de Oliveira
Glossário:
Alcíones: Estrela de terceira grandeza, a mais brilhante
das Plêiades.
Austero: severo.
Pélago: abismo marítimo; pego. 2. mar alto.
Silente: silencioso, calado, que não faz barulho.
Soturno: Assustador; amedrontador; apavorante;
terrível.

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 6

O Parnasianismo é um estilo literário que tem uma preocupação extrema com a
forma dos versos, com a métrica e a rima, elementos que precisavam estar rigidamente organizados e impecavelmente belos. A atenção excessiva à beleza é decorrente de uma
época em que a sofisticação de inspiração francesa da Belle Époque repercute no meio
social da elite brasileira.
Alheio às questões da realidade, o Parnasianismo representou a tradução poética de
um período de euforia e de relativa tranquilidade social, durante o qual a forma se sobrepôs
às ideias, valendo ao estilo a acusação de “afetação pelo preciosismo da linguagem e da
forma, buriladas como preciosa ourivesaria e superficialidade pela recusa das questões
político-sociais de seu tempo” (BARROS, p. 22).
A partir disso, releia a 1ª estrofe do poema de Alberto de Oliveira, retire um verso
que comprove a afirmação de Barros e explique o porquê.
Habilidade trabalhada:
Estabelecer relações entre a estética parnasiana e os conceitos da Belle Époque e da Art
Nouveau.

Resposta Comentada:
 

Para iniciar o trabalho com essa questão, é importante recapitular com os alunos o
contexto sócio-cultural que marca o desenvolvimento do estilo do Parnasianismo, a Belle
Èpoque, bem como rever os preceitos artísticos que marcaram a Art Nouveau. Assim,
ficará mais fácil para a turma entender a influência da cultura e estilo de vida dos franceses
no Brasil da época e a assimilação dos temas e formas da Art Nouveau em diversas
manifestações, com a arquitetura e a literatura.
Como resposta à questão, o aluno pode escolher qualquer um dos quatro versos da
primeira estrofe e apresentar algumas dessas explicações: preocupação com as rimas, no
caso, alternadas e ricas; preocupação excessiva com a métrica, no caso, versos
decassíbalos; escolha de um objeto para adoração, tornando a poesia fria e distanciada da
realidade. É importante que o aluno observe essas características, por serem as principais
da estética parnasiana.
 

Os poemas de Alberto de Oliveira reproduzem a natureza e objetos decorativos.
Trata-se uma poesia de rimas exatas e métrica correta, mas fria, distanciada da realidade.
Uma poesia sobre coisas inanimadas, feita para agradar as elites que viviam a ilusão da
Belle Époque, a equivocada ideia de interminável desfrute da riqueza.
A estética parnasiana encontrava um lugar e público perfeitos para se desenvolver,
visto que a ilusão de inspiração francesa, com os seus componentes de progresso e
sofisticação, deveria ser a todo custo preservada. Segundo a síntese do crítico Alexei
Bueno, “o Parnasianismo perseverou, por assim dizer, como o braço poético oficial de uma
república positivista e laica, de uma Belle Époque cética e risonha, que se negava totalmente
a ver a realidade do país e do povo” (BUENO, 2007, p. 152).
O poeta parnasiano, isolando-se dos acontecimentos do mundo, passa então a
cultuar “uma religião estética segundo a qual a Beleza é o único valor a ser realizado”
(ECO, 2007, p. 350). No caso do poema “O Ídolo”, de Alberto de Oliveira, a principal
intenção é enaltecer a beleza existente na estátua sobre o mármore preto.
Outras formas de abordagem do contexto histórico e cultural do Parnasianismo são
comentadas na seção “Como ensinar” das Orientações Pedagógicas deste ciclo.


ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL

QUESTÃO 7

Paráfrase “é a reafirmação, em palavras diferentes, do mesmo sentido de uma obra
escrita. Uma paráfrase pode ser uma afirmação geral da ideia de uma obra como
esclarecimento de uma passagem difícil. Em geral, ela se aproxima do original em
extensão” (SANT’ANNA, p. 17). Uma paráfrase da explicação de Sant’Anna seria algo do
tipo: parafrasear é dizer a mesma coisa com outras palavras.
Uma paráfrase pode ser a explicação da parte mais difícil de algum texto.
Normalmente, os textos das paráfrases têm um tamanho parecido com os textos originais.
Algumas paráfrases não trazem exatamente o mesmo sentido do texto original, mas
mantém a mesma estrutura sintática e semântica. Isso pode ser percebido nas paráfrases de
frases célebres, como esta, de Vinícius de Moraes:
Frase original “As feias que me perdoem, mas beleza é
fundamental”.

Paráfrase Os calvos que me perdoem, mas cabelo é fundamental.
Na paráfrase acima, observa-se que a estrutura sintática da frase original foi
mantida: uma oração com o verbo no subjuntivo, seguida por outra, adversativa,
introduzida pela conjunção “mas”. A estrutura semântica também é a mesma, visto que se
apresenta uma característica considerada como negativa e, contrapondo-se a ela através da
adversativa, destaca-se como imprescindível a característica contrária.
Com base nessas informações, elabore a paráfrase de um dos poemas parnasianos
estudados.
Produzir paráfrases a partir dos poemas estudados.

Comentário

Nesta questão, é fundamental lembrar o que é paráfrase e, sobretudo, ressaltar o
cuidado que os alunos devem ter para não construírem, de maneira equivocada, uma
paródia, Esta é um gênero que se distingue daquela pelo fato de, a partir de um texto,
elaborar outro em que desconstrói, ironiza, critica ou ridiculariza o que havia sido dito no
texto original. Para que os alunos percebam bem a diferença entre os dois tipos de
produção, uma sugestão seria apresentar um fragmento do poema “Os sapos”, de Manuel
Bandeira, que é uma paródia do poema “Profissão de Fé”, de Olavo Bilac, autor estudado
neste ciclo. Chame a atenção para o modo como Bandeira ironiza e critica, procurando
ridicularizar o culto à forma e o desejo de perfeição dos parnasianos. Ressalte que a
paródia, por seu caráter, não pretende reafirmar o que foi dito, como na paráfrase. Pelo
contrário. Na paródia, o que se pretende é justamente desqualificar, de modo jocoso, as
ideias apresentadas no texto original.


PARA NÃO CONFUNDIR PARÓDIA E PARÁFRASE

Texto base Paródia- Olavo Bilac

Profissão de fé

Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto-relevo
Faz de uma flor.
(...)
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito
Os sapos
Manuel Bandeira
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.


Como forma de exercitar e fixar que o objetivo da questão é a elaboração uma
paráfrase, também seria interessante, tomar uma estrofe do poema “Profissão de fé” e criar,
junto com os alunos uma paráfrase, preparando-os, assim, para a elaboração do exercício
solicitado.
Quando tiverem terminado, incentive-os a ler as produções para os colegas, e a
identificarem qual se manteve mais fiel às ideias originais, tendo utilizado mais termos
diferentes do texto base.


ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL

QUESTÃO 8

Originalmente, o soneto (pequeno som), como o próprio nome sugere, era
composto para ser cantado. As características estruturais e prosódicas dessa composição
poética foram aproveitadas pela banda brasileira Kid Abelha, que musicou o poema
parnasiano “Via Láctea” (soneto XIII), de Olavo Bilac. Outro famoso caso de transposição
poema/música se deu com o poema As pombas, de Raimundo Correia, musicado por
Chiquinha Gonzaga, compositora e maestrina carioca nascida no final do século XIX. O
soneto de Bilac e a versão musicada pelo grupo Kid Abelha podem ser observados abaixo.

Via Láctea- Soneto XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso" Eu vou direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de encanto....
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um páleo aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em
pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?".
E eu vos direi "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
(Olavo Bilac)
Ouvir Estrelas
Direi ouvir estrelas
Certo perdestes o senso
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouvi- lás
Muita vez desperto
E abro as janelas,
Pálido de espanto
Enquanto conversamos
Cintila via láctea
Como um pálido aberto
E ao vir do sol,
Saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto
Que conversas com elas
O que te dizem
Quando estão contigo
Ah... Amai para entendê-las
Ah... Pois só que ama pode ouvir estrelas
(Kid Abelha)


Glossário
Cintila: Resplandece Tresloucado: louco, desvairado.
Páleo: termo que indica antigo, velho.
Agora é a sua vez!

Escolha um dos sonetos que compõem este Roteiro de Atividades para, em seguida,
musicá-lo.

Musicar poemas parnasianos

Resposta Comentada:

Embora não haja uma única possibilidade de resposta para a questão (tendo em vista
que cada aluno poderá escolher o texto gerador de seu interesse), espera-se que o aluno
transponha o poema para a música observando as rimas, a divisão em sílabas poéticas e a
ênfase em possíveis recursos sonoros presentes na poesia, como aliterações, assonâncias
etc. Talvez seja interessante trabalhar a questão em duplas ou trios, não apenas para
dinamizar a correção, como também para aproximar a produção dos alunos da de
compositores profissionais, que muitas vezes compõem em conjunto com outras pessoas.
A atividade aqui proposta guarda certa complexidade, mas é fundamental para estimular o
espírito criativo. A criatividade dos alunos é, sem dúvida, um importante ponto a ser
observado nessa questão.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

ATENÇÃO ALUNOS! VAMOS JUNTOS ENTENDER O ADJUNTO ADNOMINAL?

ADJUNTO ADNOMINAL É o termo que determina, especifica ou explica um substantivo. O adjunto adnominal possui função adjetiva na oração, a qual pode ser desempenhada por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, pronomes adjetivos e numerais adjetivos. Veja o exemplo a segui: O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo de infância. Na oração acima, os substantivos poeta, trabalhos e amigo são núcleos, respectivamente, do sujeito determinado simples, do objeto direto e do objeto indireto. Ao redor de cada um desses substantivos agrupam-se os adjuntos adnominais: - o artigo” o” e o adjetivo inovador referem-se a poeta; - o numeral dois e o adjetivo longos referem-se ao substantivo trabalhos; - o artigo” o” (em ao), o pronome adjetivo seu e a locução adjetiva de infância são adjuntos adnominais de amigo. Observe como os adjuntos adnominais se prendem diretamente ao substantivo a que se referem, sem qualquer participação do verbo. Isso é facilmente notável quando substituímos um substantivo por um pronome: todos os adjuntos adnominais que estão ao redor do substantivo têm de acompanhá-lo nessa substituição. Por Exemplo: O notável poeta português deixou uma obra originalíssima. Ao substituirmos poeta pelo pronome ele, obteremos: Ele deixou uma obra originalíssima. As palavras “o”, notável e português tiveram de acompanhar o substantivo poeta, por se tratar de adjuntos adnominais. O mesmo aconteceria se substituíssemos o substantivo obra pelo pronome a. Veja: O notável poeta português deixou-a. Saiba que: A percepção de que o adjunto adnominal é sempre parte de um outro termo sintático que tem como núcleo um substantivo é importante para diferenciá-lo do predicativo do objeto. O predicativo do objeto é um termo que se liga ao objeto por intermédio de um verbo. Portanto, se substituirmos o núcleo do objeto por um pronome, o predicativo permanecerá na oração, pois é um termo que se refere ao objeto, mas não faz parte dele. Observe: Sua atitude deixou os amigos perplexos. Nessa oração, perplexos é predicativo do objeto direto (seus amigos). Se substituíssemos esse objeto direto por um pronome pessoal, obteríamos: Sua atitude deixou-os perplexos. Note que perplexos se refere ao objeto, mas não faz parte dele. Observe os seguintes versos: “No fundo do mar Há tanto tesouro! No fundo do céu Há tanto suspiro! No meu coração Tanto desespero!” (Manuel Bandeira, Poesia Completa e Prosa: Estrela da Manhã.) • O adjunto adnominal está em negrito: a) Somente no verso 1. b) somente nos versos 1 e 5. c) nos versos 1, 2 e 5, exclusivamente. d) apenas no verso 5. e) em todos os casos em destaque. Indique os adjuntos adnominais presentes nas orações a seguir. 1. Percorremos uma longa estrada de terra. 2. Poucos alunos vieram à nossa reunião. 3. O juiz expulsou três jogadores. 4. Aqueles alunos fizeram um ótimo trabalho. 5. Coloquem todos os livros sobre essa mesa. 6. A seleção ganhou uma taça de ouro. 7. O tempo chuvoso atrapalhou nosso festival de música. 8. Os atletas do Brasil disputaram essa competição olímpica. 2) (UFSC) Observe os períodos abaixo e assinale a alternativa em que o lhe é adjunto adnominal: a) “…anunciou-lhe: Filho, amanhã vais comigo.” b) O peixe cai-lhe na rede. c) Ao traidor, não lhe perdoaremos jamais. d) Comuniquei-lhe o fato ontem pela manhã. e) Sim, alguém lhe propôs emprego. 3) Assinale a alternativa em que o termo grifado é adjunto adnominal: a) Sua falta aos encontros sufocava o nosso amor. b) Ela é uma fera maluca. c) Ela é maluca por lambada nacional. d) Não tenho medo da louca. e) O amor de Deus é o primeiro mandamento.