quinta-feira, 6 de junho de 2013
Revisão para prova - 2º Bimestre
Literatura
Realismo e Naturalismo - resumo, contexto histórico, autores, dicas e questão comentada
23/09/2010 18h12
A partir da segunda metade do século 20, as concepções estéticas que nortearam o ideário romântico começaram a perder espaço. Uma nova tendência, baseada na trama psicológica e em personagens inspirados na realidade, toma conta da literatura ocidental. Estava inaugurado o Realismo-Naturalismo.
No Brasil, essa passagem ocorre em 1881, com a publicação de Memória Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908), e de O Mulato, de Aluísio Azevedo (1857-1913). Enquanto o livro de Machado apresenta acentuado viés realista, o de Aluísio é claramente naturalista.
Realismo
O Realismo brasileiro é completamente diferente do europeu. A obra de seu principal autor, Machado de Assis, escapa de qualquer tentativa de classificação esquemática.
Na fase madura, Machado produz uma literatura essencialmente problematizadora. Com minuciosa investigação psicológica, ele indaga a existência humana. Ele ainda substitui o determinismo biológico por acentuado pessimismo existencialista e discute temas como a relatividade da loucura e a exploração do homem pelo próprio homem.
A intertextualidade e a metalinguagem marcam o estilo de Machado. O uso da linguagem poética, do jogo proposital de ambigüidades, da recuperação de lugares comuns e do microrrealismo psicológico também são características fundamentais da obra machadiana. Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires são alguns romances do autor.
Naturalismo
O principal autor naturalista no Brasil é Aluísio Azevedo. O determinismo social predomina em sua obra, construída através de observação rigorosa do mundo físico e da zoomorfização das personagens. Aluísio é autor de O mulato, Casa de pensão e O cortiço, obras com acentuado caráter investigativo e cuidadosa análise de comportamentos sociais.
Com o que ficar atento?
A riqueza literária do Realismo-Naturalismo no Brasil não se restringe à prosa de ficção. A dramaturgia também evolui e consolida a comédia de costumes como um gênero maior na obra de França Júnior e Artur Azevedo, por exemplo.
Vale lembrar que o Realismo-Naturalismo brasileiro oferece amplo painel de uma época em que o país era monárquico, escravocrata, patriarcalista e passava por profundas mudanças socioeconômicas e culturais.
Como pode cair no vestibular?
Muitos vestibulares tem cobrado conhecimentos sobre a obra de Machado de Assis e os temas problematizados pelo autor, como a própria vida e a literatura.
Como já caiu no vestibular?
(PUC-SP) No romance Dom Casmurro, o narrador declara: "O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência". Entre as duas pontas, desenvolve-se o enredo da obra. Assim, indique a seguir a alternativa cujo conteúdo não condiz com o enredo machadiano.
a) A história envolve três personagens, Bentinho, Capitu e Escobar, e três projetos, todos cortados quando pareciam atingir a realização.
b) O enredo revela um romance da dúvida, da solidão e da incomunicabilidade, na busca do conhecimento da verdade interior de cada personagem.
c) A narrativa estrutura-se ao redor do sentimento de ciúme, numa linha de ascensão de construção de felicidade e de dispersão, com a felicidade destruída.
d) A narrativa se marca por digressões que chamam a atenção para a inevitabilidade do que vai narrar, como o que ocorre na analogia da vida com a ópera e em que o narrador afirma "cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quattuor..."
e) O enredo envolve um triângulo amoroso após o casamento e todas as ações levam a crer na existência clara de um adultério.
Gabarito
Resposta correta: E
Comentário: Narrado sob a perspectiva viciada e unilateral de um narrador personagem tendencioso, o romance Dom Casmurro é construído sob o signo da incerteza.
sexta-feira, 29 de março de 2013
domingo, 11 de novembro de 2012
APENAS PARA REFLEXÃO -PENSAMENTOS ÍNTIMOS
A semântica do Discurso
Pensando na reação de um colega meu, a cerca de um fala
minha, entendi que enfrentar o poder nas relações íntimas é uma questão
desconfortável. E digo mais, não é nada atrativo e provoca até certa repulsa.
Estávamos conversando e mencionei que o amor é igual à justiça, a justiça é
igual ao poder e o poder é igual ao amor. Ele fez cara de quem não gostou e
disse que concordava em parte. Não podia aceitar que poder tenha algo em comum
com o amor. Para ele, são coisas opostas.
Não obstante a esta reação opositiva, pude identificar o
significado que ele dava ao poder e percebi que, assim como pensam muitas
pessoas, o associava com autoridade ditatorial.
É primoroso perceber que poder, na acepção certa da palavra,
é o potencial que uma pessoa possui, e que lhe permite influir no pensamento,
opinião e até no comportamento de outros. Este é poder! Nada tem a ver com
ditadura, autoritarismo, domínio, submissão cega a um determinado comando de
uma pessoa hierarquicamente superior.
Deve-se observar que, muita gente, mesmo as chamadas “bem
letradas”, pode confundir autoridade com autoritário e seguem equivocando-se,
quando deixam de levar em conta que autoridade é um direito conquistado, uma
posição que confere o privilégio de decidir, atuar, de se fazer obedecer sem
impor. É preciso entender que o poder/amor do qual sigo falando, é ponto de
equilíbrio para se relacionar adequadamente com os outros, seja qual for a
posição.
Saber usar o poder é uma ciência é uma arte. Ciência porque
implica em objetividade e precisão na interpretação das situações e eventos.
Arte, porque depende da criatividade e sensibilidade do indivíduo. A literatura
ensaia toda sorte de amor, porém o mais interessante é que nunca o trata como
submissão, mas com fonte de inspiração. Poder é, então, fonte de inspiração
para aqueles o qual se dirige.
Também, deve-se atentar para o fato de que o ditador é uma
aberração, é o desvio do poder, na maioria das vezes, é a máscara de pessoas de
personalidade fraca, escondida atrás de uma figura poderosa ou, muitas vezes,
um covarde, que se amoita por trás de uma fachada de valente.
Esta personalidade autoritária é construída, muitas vezes,
ao longo de uma vida em que determinadas pessoas foram expostas a pais
carrascos, mães dominadoras ou professores abusivos. Pessoas que ficam marcadas
para o resto da vida, por este comportamento de autoafirmação. Então, não
aprendem a fazer uso adequado do poder, logo não conseguem se entregar para o
amor, o verdadeiro amor é justo, e, consequentemente, o autoritário tem grande
dificuldade em fazer justiça. Justiça não é ficar do lado do mais fraco, é princípio
moral. Um livro muito conhecido na área do Direito, retrata muito bem esse
sentimento "A REPÚBLICA" de Platão, nele , podemos entender que “justiça
é o que reserva a cada um em sua parte, seu lugar, sua função, preservando
assim a harmonia hierarquizada do conjunto". Enfim, a JUSTIÇA não existirá
se a fizermos de acordo com que achamos certo, e sim com que é certo.
O resultado de toda esta avalanche de emoções, é que, o
autoritário, subjugado pela falta de poder e de amor, algumas vezes, são
pessoas boazinhas, noutras vezes são cruéis. Perdem o liame do equilíbrio, da
sensibilidade e flutuam entre a vítima e o carrasco. É muito comum, pessoas com
este perfil, sentir-se mais próximo dos fracos e frágeis, já que estes o fazem sentirem-se
mais senhores de si. Já que nunca serão ameaças verdadeiras e por conta disso, não
vão abalar suas muralhas bem construídas. E necessário tratar o poder com
consciência e bom senso, a fim de que as relações não se compliquem mais do que
já são, caso contrário, haverá muita dor, tristeza e lágrimas de ambos os lados.
Pelo menos é o que penso por agora...
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